quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

13:1

Se existe um lugar onde tenho poucos pudores para ir é o supermercado. Explicando: para mim supermercado é um espaço para se comprar coisas, e não para ver e ser visto. Então nunca me preocupo com que roupa usar, ou com que cara eu estou na hora de empurrar o carrinho de compras. Já fui ao supermercado de madrugada completamente chapado (não recomendo), e como moro bem perto do Extra, nos domingos de manhã quase sempre estou lá de roupa velha, cabelo desarrumado e um par de óculos escuros imensos.

A academia que vou também é em frente a um supermercado (paradoxal, não acham?) e ontem caí na besteira de sair da malhação e ir às compras. Eram sete e meia da noite. Seria uma coisa simples, mas tive de fazer um esforço grande para me manter calmo e centrado. Primeiro porque eu estava com fome e com sono. Depois porque sempre saio da academia com um jeito meio abobado, como se tivesse acabado de aterrissar no planeta e ainda sem compreender o que está acontecendo.

Piso no supermercado e dou de cara com um casal de amigos que gosto muito. Como que faz para abraçar os outros com aquela roupa toda suada? Cumprimentei meio constrangido mesmo, e segui para comprar somente o que eu queria (fazer supermercado com fome é um perigo mortal). Claro que o imbecil aqui morreu de medo de entrar no corredor que tem aquelas geladeironas cheias de manteiga, queijo, iogurtes e frios. Para não gripar. Mas como eu queria iogurte fui rapidinho e corri para o resto.

Frutas, pão integral, iogurte, peito de peru fatiado, não achei o queijo cottage (não devia ter, porque no lugar dos queijos ele não estava), fui procurar barrinhas de cereais. Não achei também. Juro. Devo ter passado por elas algumas vezes, mas a minha atenção difusa estava em modo desligado.

Sigo para a fila do caixa rápido, espero um pouco, como sempre tem uma senhora com pressa atrás de mim. Daquelas que a gente mal põe as compras no balcão do caixa ela já vai empurrando o carrinho em cima, colocando as coisas dela como se a gente não estivesse ali e ela fosse a dona de tudo. Detesto gente assim. Dá vontade de dizer: "Ô Dona, eu desse tamanho a senhora tem certeza que não está me vendo?"

Vou pagar e, acostumado com o Extra, fiquei surpreso quando a caixa me disse que tinha de pesar as frutas. Como assim pesar? Não faz isso é aqui mesmo? Tive de voltar na balança (que logicamente estava vazia, sem atendente), chamar alguém, pesar os pacotinhos, e voltar para o caixa. Que já estava com uma fila bastante grande, e a senhora mal educada com cara de brava.

Entreguei o cartão, paguei (não sem antes ter de pedir licença à mesma senhora para poder "digitar a minha senha") e fui embora antes que me linchassem. Para quem não gosta de aparecer no supermercado foi um pouco demais. Acho que vou manter a minha rotina tradicional de domingo cedo, o mais discreto possível.

Um comentário:

enquanto dá disse...

Estranho mesmo, aqui no Epa (que eu acho que é um pouco aquém do Extra), as frutas, verduras e legumes são pesados no caixa mesmo.