segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

11:1

Quando a gente atinge certa idade nos damos o direito de enlouquecer por razões completamente diferentes de quando temos 20 e poucos e a piração se resume a álcool, drogas (lícitas ou não) e sexo com desconhecidos. Como eu descobri ontem que tem gente que ainda não me conhece muito bem lendo esse blog, antes de narrar o meu surto preciso fazer uma pequena contextualização.

Mudei para BH em 1992, e desde então vivo com a minha tia no apartamento dela. Quis o destino que eu também tivesse vaga em um outro apartamento no centro da cidade, que é onde ficam as minhas cachorras (duas schnauzers, uma talvez esperando filhotinhos). Para ficar mais fácil eu chamo os lugares de casa 1 e casa 2. Quando tem visita na casa 1 eu vou para a casa 2 e vice-versa. E quando tem gente nos dois lugares, o que acontece? Pois é. Foi o que se passou esse fim de semana.

Casa 2 está cheia e não tem como eu ficar por lá até fevereiro. Isso é o que basta saber. Minha tia, mais a irmã dela e a sobrinha, foram fazer um cruzeiro e passei uma semana sozinho. Sou um bom guardião, e, fora o jogo de buraco que pus o convite aqui, nada de mais aconteceu. Já terminou o tempo das festas de arromba, daquelas que aparece cueca pendurada no lustre, copo quebrado e gente dormindo no sofá.

Daí que minhas tias chegaram de volta no sábado à noite. Deixei tudo arrumadinho, supermercado feito para ninguém passar fome quando chegasse, e aceitei um convite para ir ao cinema (O dia depois de amanhã: não perca seu tempo. Se quiser muito ver, procure a versão de 1951 na locadora). Pus alguns bilhetes pela casa, arrumei a minha cama, e deixei especificamente uma nota no computador: "não desligue, obrigado".

Corta para meia noite e meia, eu voltando para casa do filme ruim, com o corpo doendo da academia (continua doendo, porém menos). Abro a porta, vou para o meu quarto e tchan! Duas pessoas dormindo no meu quarto. Isso acontece com você? E quando acontece, o que você faz? Segue a transcrição do telefonema que dei para minha mãe no dia seguinte:

- Mãe, estou te ligando para falar uma coisa. Mais cedo ou mais tarde você vai saber mesmo, então eu quero te contar.
- O que você fez dessa vez?
- Cheguei em casa e achei minha tia e minha prima dormindo no meu quarto. Eu fiquei num estado de nervos tão grande, que liguei a televisão na maior altura, acendi as luzes, comecei a berrar que não agüentava mais isso, que era uma falta de respeito, e bater as portas até tirar as duas de lá.
- Hahaha!
- Mãe, é sério, estou com medo de estar ficando louco, eu nunca fiz isso antes.
- Mas você estava certo! E ainda bem que você me contou, porque ninguém vai falar isso comigo!
- Tá certo. Até mais, bênção.

Eu peço a bênção para a minha mãe, sim. E foi isso, o meu primeiro acesso de fúria durante o regime. Não foi a primeira vez que achar pessoas dormindo no meu quarto aconteceu. Mas talvez tenha sido a última. De qualquer modo foi catártico, eu já tive vontade de fazer isso mil vezes antes. Só que eu não aconselho tomar essa atitude antes de se alcançar a sua independência, fica a dica.

Um comentário:

Cristiana Brandão disse...

alugue uma quitinete e vá morar sozinho, é uma delícia