quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

49:1

Quando assinei o contrato com a Corpore, lá estava escrito que eu poderia frequentar a academia, pelo período de um ano, em todo e qualquer horário em que ela estivesse aberta. Assim como praticar toda e qualquer atividade oferecida, obedecendo obviamente ao quadro de horários do lugar. Também me deram uma escala com a lista de atividades: power jump, body pump, body step, body attack e rpm – um monte de nome em inglês que eu até hoje não sei tudo o que significa (preguiça de procurar no google). No dia especificamente que eu me matriculei vi a salinha de ginástica, onde acontecem todas as aulas, mas nunca tinha entrado. Até hoje.

Obviamente o povo promete tudo o que pode para te fazer assegurar a matrícula (apesar de que o que me segurou lá mesmo foi o preço – me disseram que esse tanto de aula de ginástica "não serve pra nada"), mas é lógico que existem certas coisas que necessitam um mínimo de condicionamento físico, que eu não tinha. É o caso do rpm que, como já comentei, resolvi encarar hoje pela primeira vez. Para quem não sabe, rpm é um nome aviadado que deram para o spinning. Como nunca fiz o segundo, não sei a diferença.

Cheguei na academia, falando que queria fazer a aula, a moça disse para eu marcar uma bicicleta com a garrafinha (squeeze), obedeci. Mesmo faltando mais de uma hora para a coisa em si começar. Desci, troquei de roupa, alonguei, cumpri a minha rotina de musculação sem pressa (faltam cinco sessões de cada série para eu mudar o programa – em breve mais dor em pontos até então desconhecidos do meu corpo) e fui lá para a sala de ginástica quando deu a hora.

Fato 1: as bicicletas ficam num canto da sala, e adivinha quem carrega as benditas para o centro? O aluno, claro! Mas elas têm rodinhas, basta você tombar que dá para arrastar mais fácil. Descobri isso porque uma alma caridosa me contou, senão eu estava pagando mico de carregar bicicleta no muque e achando um absurdo aquela coisa ser tão pesada.

Fato 2: eu era o único calouro da sala. Mas me virei bem com o ajuste da bicicleta (baixinho sofre), mesmo achando um pouco desconfortável e estando até agora com dor na bunda. Deve ser por isso que 20% dos alunos carregam uma capa para assento.

Tudo arrumado o professor entrou, cumprimentou todo mundo com aquele pique que não sei de onde tira e começou a sessão de tortura. Meu deus o que é aquilo... Transport? Peitoral voador? Nada! Deveria ter ambulância na porta da academia para carregar a gente direto ao HPS, tomar soro na veia depois.

Fato 3: rpm é nada menos que pedalar dentro de uma boate. Com música alta e o professor gritando um monte coisa que você não entende, mas imita o colega da frente e acha que está fazendo certo. Depois de um tempo aquela loucura fica parecendo viagem de ácido: você simplesmente deixa de sentir qualquer coisa, para de pensar, ligam aquelas luzes estroboscópicas que transformam tudo em câmera lenta, a música aumenta o volume, e tudo o que você consegue fazer é pedalar, pedalar, levantar pedalando, sentar pedalando, imitar o colega, vamos correr, vamos acelerar, sobe o peso, e a música comendo solta e você acha que em algum momento vai cair duro no chão. Até que, quando parece que vai acabar, o professor grita: "estamos no meio"!

Juro que pensei em desistir. Só que a Camila queria ler o texto sobre o rpm, então fui forte até o fim. Até porque no fim, quando você se entrega, deixa de raciocinar sobre o que está acontecendo e simplesmente "curte a viagem" (álcool, drogas... para quê, não é mesmo, minha gente?), a aula fica boa. E foi justo isso: mesmo com muita dor na bunda, quando comecei a me acostumar com a ideia a coisa acabou. Os 45 minutos demoraram a vida para passar, mas aula em si foi bem rápida. Paradoxos.

Fato 4: o melhor é o final, está todo mundo com aquela cara de esgotado e vem um alongamento ótimo... Para deixar a gente em dia e voltar com as cadeiras para o lugar. E com as bicicletas também, afinal, se o aluno tira, o aluno guarda.

Acho que agora, no começo, vou fazer uma vez por semana, até acostumar ou ter um piripaque de vez. Depois, gradativamente, subo a carga. Agora vou dormir, e torcer para acordar a tempo do trabalho. Até amanhã...

5 comentários:

Newton Mota disse...

Shoo shoo, eu tenho medo dessas salinhas alucinatórias. Acho que assisti muito Requiem e Transpoiting. :D

Vinícius disse...

Tenho medo desse povo animado de academia tb! fiz experimental de rpm uma vez e nunca mais voltei.... é muita música baranga!

camila disse...

eu incentivo! vamos lá marcelo: pedalando! eeeeeeeeee

Carol disse...

kkkk! Vc é uma figura, Mar! Bem, eu prefiro spinning! Tem muita diferença, que eu já soube um dia qual. Se lembrar te conto. Mas sobrou o meu assento de silicone, vou procurar pra te emprestar, quer? Sem ele não dá! E pode tratar de encarar a aula umas duas vezes pelo menos, senão vc não pega o ritmo! E, sem ritmo, como é que vc vai pra Volta da Pampulha comigo???
Bj

vitoria disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
como me diverti com seus comentarios.
bjux